São 10 da manhã, o telefone toca.
― Alô? ― Ela atende com uma voz rouca, ainda sonolenta.
― Oi ― alguém responde do outro lado.
― Desculpa, quem é?
― Não peça desculpa, quando quem deve desculpas sou eu.
Silêncio.
A voz do outro lado retoma:
― Eu sinto muito. Não devia ter sumido daquele jeito. Se me der uma chance, eu explico tudo. Por favor, não me deixe. Você deve estar brava, com ódio de mim, e eu não te culpo por isso, mas se deixar, eu te faço feliz de novo.
Ela entendeu quem estava na outra linha. O garoto que ela mais havia amado, aquele mesmo que a trocou por outra e fugiu da cidade, aquele que sumiu sem dar explicações.
― Eu não acredito em você.
― Eu sei que não. Mas eu sinto muito, muito mesmo. Eu fui burro de ter te abandonado, principalmente sem dizer nada. Você é a única garota que eu amo e sempre amei, eu estava cego, cego por alguém que eu tinha acabado de conhecer. Ela colocou coisas na minha cabeça, dizia que você era inútil e estúpida, e que estava comigo só pra passar o tempo. Eu fui idiota de ter acreditado nela e não em você…
Do outro lado, ela chorava em silêncio. Caramba, ela ainda o amava! Mesmo depois de tudo o que ele fez e do tempo todo longe, ela ainda o amava, agora mais forte que nunca.
― …não precisa me perdoar, você nem deve! Eu só preciso que você saiba que eu sinto muito. Nunca me arrependi tanto de alguma coisa.
― Já fazem mais de 1 ano. Por que só veio agora, então?
― Eu não tinha coragem de te falar isso. Eu passei os últimos 3 meses pensando em que te falar e quando eu discava o seu número, eu não conseguia completar a ligação. Sinto muito por ser tão covarde também.
― Eu te amei muito, mais do que qualquer outra pessoa. Não foi nada fácil viver sem você por perto de uma hora pra outra, principalmente quando eu nem sabia onde você estava. Eu tinha acabado de me acostumar com essa ideia, aí você liga.
― Me desculpa. O caminho todo eu só pensava na hora em que eu iria até a sua porta, apertaria a campainha…
A campainha toca…
― …você abriria…
Ela atende a porta…
― …e nessa hora eu estaria ajoelhado, com toda a minha coragem e cara de pau…
Ele estava ajoelhado no tapete de entrada da varanda, segurando uma rosa branca.
― …dizendo que eu ainda te amo e que eu não suportaria viver sabendo que você me odeia.
Eles desligaram o telefone. Ela pega a rosa, cheira e entra em casa novamente. Ele a segue.
― Assaltando o arbusto do meu jardim? ― Ela sorri.
― Não deu pra passar na floricultura.
― Eu te amo, apesar de tudo. Acredito em você.
Eles se abraçam. Aquele provavelmente seria o primeiro de muitos outros abraços apaixonados que eles dariam daqui pra frente.
O fato é que não importa quantas vezes você tenha errado, se tiver amor, você volta atrás. Se tiver amor, também, você perdoa. (eugostodemiojo)